Sabor e território: o papel do restaurante Arenito na identidade da Vinícola Uvva 

03_A abertura do Arenito

Sabor e território: o papel do restaurante Arenito na identidade da Vinícola Uvva 

Linha fina: Além de pratos autorais e vista privilegiada, o braço gastronômico da Uvva impulsiona carreiras e promove a profissionalização na região de Mucugê

Os vinhedos no horizonte encontram a silhueta da Serra do Sincorá que, por sua vez, é abraçada pelo céu azul. Uma mescla de cores e natureza formam a paisagem de encher os olhos. Na longa varanda, uma mesa. Na mesa, sorrisos, conversas, taças de vinho e pratos de alta gastronomia. Uma rápida foto para postar no Instagram. A primeira garfada vai à boca, os olhos se fecham, concentrando-se na explosão de sabores e aromas que tomam conta do paladar. Um pequeno sorriso, um leve suspiro, uma expressão de felicidade.

É assim que muitos visitantes da Uvva começam ou encerram a experiência: vivenciando a gastronomia autoral do restaurante Arenito. Sempre que vê a satisfação no olhar do cliente, Jéssica Santana, cozinheira líder do Arenito, pensa com orgulho “acertamos!”.

Quando Jel chegou para ser auxiliar de cozinha, tudo parecia grande demais. O espaço, a proposta, o padrão. Natural de Planaltino/BA, cresceu em uma família de cozinheiras e doceiras, herdando das mães e avós o gosto pelos bolos e salgados. Trabalhava com isso, mas nunca tinha estado em uma cozinha profissional.

Quando a proposta de emprego na Vinícola chegou para o marido e, para ela, no restaurante, fizeram as malas e vieram para Mucugê com as duas filhas, dispostos a enfrentar novos desafios.

Poucos meses após a inauguração da Vinícola, o restaurante ainda atendia apenas reservas de tours. Naquele início, ela fazia de tudo: sobremesas, pratos principais, preparo, apoio. Aprendia na prática, observando, errando e tentando de novo. No começo, chegou a duvidar se daria conta. “Pensei em desistir uma vez, mas o Chef André não deixou”, conta emocionada. “Ele me perguntou o motivo e eu fui sincera: saudades da família. Daí ele me disse para tirar uns dias, mas que eu voltasse porque eu tinha muito potencial”.

Decidiu ficar e hoje é a funcionária com mais tempo de casa. Movida pela curiosidade e incentivada pelo chef, Jel cursou gastronomia e hoje está no terceiro semestre de Nutrição. Quer continuar crescendo.

A cozinha profissional, para ela, ensinou disciplina e a importância de manter um padrão em tudo o que é preparado. Trabalhar longe da família também foi parte desse aprendizado. Foram ajustes, saudade e amadurecimento. Mas Jéssica aprendeu a lidar com o tempo, com a rotina intensa e com a responsabilidade de liderar e cuidar de uma equipe.

Sabor e território: o papel do restaurante Arenito na identidade da Vinícola Uvva 

Equipe essa da qual Conceição Dolores de Oliveira Mendes, de 55 anos, faz parte. Nascida em Mucugê, chegou a passar um período em Salvador, mas foi ali, na Chapada, que criou os dois filhos, construiu sua vida e sua relação com a cozinha.

Já havia passado por outros restaurantes, experiências curtas, algumas frustrantes. Também é formada em Educação Infantil e, por muito tempo, se dividiu entre as duas áreas. Mas havia um desejo: conhecer o novo restaurante da região, o Arenito. A oportunidade surgiu quando sua irmã, que conhecia o chef André, ajudou a montar o currículo. O primeiro encontro foi informal — uma conversa na farmácia — e, pouco depois, veio a entrevista.

Ao conhecer o restaurante, Dolores se encantou. Pela proposta, pela história e pelo cuidado com o que era servido. Os desafios foram muitos, especialmente no preparo de proteínas: ponto de carnes, peixes, técnicas que exigem precisão.

Foi nesse processo que ela se apaixonou ainda mais pela cozinha e decidiu cursar Gastronomia. Uma coisa puxou a outra: o incentivo da equipe, o exemplo de quem estava ao redor e a vontade de se aprimorar fizeram com que desse esse novo passo. Como ela mesmo diz; “nunca é tarde para começar”.

Ao longo desses quatro anos, o Arenito se consolidou como parte essencial da experiência Uvva. Porém, mais do que um restaurante com vista privilegiada ou pratos autorais, o Arenito é feito de pessoas, de histórias que se entrelaçam na rotina intensa da cozinha, no cuidado com cada preparo e na atenção a quem chega.

Jéssica e Dolores personificam esse processo: cresceram com o restaurante, aprenderam e transformaram o trabalho em trajetória de vida. Assim como os vinhos da Vinícola, cada prato do Arenito carrega a marca de quem o faz. Marca essa que o visitante leva, para sempre, na memória.