De um começo incerto com grãos ao pioneirismo na produção de batatas, conheça a trajetória da família Borré e das gerações de colaboradores que transformaram a Chapada Diamantina.
Tudo começa com um início. Com um sonho. Com uma decisão. Com uma mudança. Do Rio Grande do Sul para a Chapada Diamantina. Dos grãos para a batata. Mas começa como exatamente?
O ano é 1988. Ayrton Senna conquista seu primeiro mundial de Fórmula 1. A primeira versão da novela Vale Tudo está no ar e o Brasil para pela primeira vez para saber quem matou Odete Roitman. Enquanto isso, a Progresso cultiva suas primeiras batatas, quatro anos após a chegada da família Borré.
Silvalucia de Souza Silva tinha nove anos na época e visitava a fazenda com frequência. Nem todos sabem, mas seu pai trabalhava para o homem que vendeu as primeiras terras a Seu Ivo. Hoje responsável pelo refeitório administrativo da Sede, ela é uma das pessoas que lembra como as primeiras colheitas de grãos não deram certo e que nem sempre os tubérculos estiveram no radar da Progresso.
Na verdade, a família Borré chegou em 1984 e a oportunidade surgiu alguns anos depois, após um arrendamento de terra de agricultores japoneses. Quando o contrato terminou, ficaram para trás sobras de batatas-sementes. O olhar atento de Seu Ivo levou a esse novo cultivo que mudaria para sempre a rota da Fazenda Progresso.
Os anos passaram e a menina Silvia cresceu, assim como a fazenda. Começou como babá na casa de Seu Hélio Borré, em Vitória da Conquista. Quando retornou à Ibicoara, participou da colheita de batata-consumo, mais tarde migrou para a classificação de batatas e, quando surgiu a pergunta “quem gosta de cozinhar?”, ela se voluntariou. Da feijoada para o time de futebol, aos 46 anos Silvia é responsável por alimentar mais de 100 funcionários da Progresso diariamente.
Como ela leva quase três décadas trabalhando para a família Borré? “Eu sempre ouvi isso do Seu Ivo, um exemplo de ser humano: tudo que você faz com amor, sai bom”, revela.
Outro exemplo de dedicação é Seu Ari, que aos 81 anos é um dos primeiros a chegar na Progresso I. Aposentado e avô de um menino que herdou dele o gosto pelo futebol, diz que segue trabalhando porque estar em movimento faz bem para seu corpo e alma.
Seu Ari é um dos funcionários mais antigos da Fazenda Progresso. Chegou à Chapada Diamantina aos 40 anos, em 1994, mas já trabalhava com a família Borré no Rio Grande do Sul. Diferente de Silvia, que cresceu ao lado da fazenda, Seu Ari atravessou quase 3 mil quilômetros, criou raízes em uma nova terra, passou a viver uma nova cultura e até deixou de tomar chimarrão. Na Bahia, ao lado dos Borré, fez a sua trajetória e construiu sua própria família.
Ao relembrar momentos e histórias, muitas vezes fica sem palavras, mas o sorriso revela o carinho que tem pela fazenda. Com a sabedoria adquirida ao longo dos anos, para o futuro não deixa conselhos, apenas o desejo de que a Progresso continue sendo uma boa empresa para o povo baiano que tanto contribuiu com ela.
A história da Fazenda Progresso e da família Borré se entrelaça com a vida de Silvia, de Seu Ari e de muitas outras famílias. São milhares de pessoas que trabalham lado a lado diariamente para levar comida à mesa de incontáveis famílias brasileiras, mas também para gerar desenvolvimento e oportunidade para toda uma região.
As batatas ficaram na terra e delas nasceu uma história que segue dando frutos. Completar 40 anos é olhar para o passado e reconhecer o caminho que nos trouxe até aqui, um caminho de resiliência, de pioneirismo, de transformação. É lembrar com saudades de cada um que passou pela fazenda, dos amigos que nos deixaram e das pessoas que nos inspiraram, motivaram e ajudaram.
Mas é também saber olhar para o futuro — da empresa, da região, das pessoas — com maturidade e responsabilidade sabendo que cada decisão transforma vidas.
Uma empresa em constante transformação
Quando Aldo Francisco chegou na fazenda há quase 20 anos, o setor de Obras e Infraestrutura ainda não existia. Foi Seu Ivo quem acreditou na importância da área e investiu para estruturá-la, mas não só isso: acreditou também nas pessoas.
Vindo de São Paulo ainda criança, Aldo passou por diversas cidades da Bahia antes de a família criar raízes na Chapada Diamantina. Saiu da escola antes de concluir os estudos e começou a trabalhar com terraplenagem em empresas da região.
Hoje líder de turma na área de Obras e Infraestrutura, há alguns anos Aldo alimentava o desejo de concluir os estudos, mas faltava oportunidade para tirar o sonho do papel. “As coisas giravam em torno do trabalho, não tinha essa possibilidade de terminar. Uma hora Seu Ivo e eu conversando, ele me perguntou por que não voltava a estudar. Ivo me deu muita força dentro da fazenda Progresso, era muito humano, ouvia muito”. Aldo concluiu o ensino médio em 2021.
Pouco a pouco era construída uma importante característica da Fazenda: a de gerar oportunidades e transformação. Hoje programas institucionais possibilitam que os funcionários da empresa inclusive mudem de área.
O Programa de Recrutamento Interno, por exemplo, permitiu que Gracielia Elioterio fosse da colheita de batata-semente para auxiliar de limpeza na Sede. Entre idas e vindas, ela soma cerca de 20 anos de atuação na fazenda e já colheu batata, cebola e tomate.
Apaixonada pela Progresso, Ci era uma criança quando a fazenda chegou à região, viu os pais trabalharem nela até a aposentadoria, conheceu o marido no trabalho e incentivou Mikael, filho, a também entrar para o time. Hoje ela deseja que o jovem siga crescendo junto com a empresa que já faz parte da história da família.
Já o Programa de Trainee, que dá oportunidade para quem tem formação, mas ainda não tem experiência, abriu as portas da fazenda para Vinícius Lima, de 27 anos. Hoje analista de produção de café, ele não se vê em outro lugar que não na Progresso. além dele, os dois irmãos mais novos também vieram para a empresa, indicados por ele, e estão trabalhando atualmente na vinícola uvva.
Nascido e criado em Piatã, Vinicius teve desde cedo contato com café porque o avô era dono de uma pequena fazenda no município. Fez do encanto de criança uma escolha de profissão e cursou Agronomia em Vitória da Conquista. Depois de estagiar com Silvio Leite (produtor de café da região), foi indicado para uma vaga de trainee na Progresso. “O que faço hoje pretendo fazer por muito tempo, ficar até me aposentar. A Progresso é uma empresa que se preocupa, que cuida bem da pessoa”.
Ci, Aldo e Vinícius atuam em áreas diferentes da fazenda, mas suas histórias se cruzam na essência do que é ser Progresso: crescer profissionalmente, mas também como pessoa, lado a lado com quem trilha o mesmo caminho.